Imagens mostram momento que PM de Vilhena atropela grávida em moto

Imagens mostram momento que PM de Vilhena atropela grávida em moto

Gestante pilotava moto, quando policial avançou preferencial com carro.
Militar será indiciado por homicídio culposo e embriaguez na direção.

Eliete MarquesDo G1 Vilhena e Cone Sul
Acidente ocorreu no fim do ano passado em rua de Vilhena (Foto: Rede Amazônica/Reprodução)Acidente ocorreu no fim do ano passado em rua de Vilhena (Foto: Rede Amazônica/Reprodução)
Imagens de câmeras de segurança gravaram o atropelamento da estudante de direito Fernanda Lioterio Oliveira Costa, de 21 anos, ocorrido no fim do ano passado, em Vilhena (RO), a 700 quilômetros de Porto Velho. Ela pilotava uma motocicleta, quando o cabo da Polícia Militar (PM), Heleno Alves da Luz, de 41 anos, avançou a preferencial e provocou o acidente
De acordo com o registro de ocorrência, o policial apresentava sinal de embriaguez. A mulher, grávida de seis meses, foi socorrida com vida, mas morreu no hospital, juntamente com o bebê.
Fernanda transitava pela Avenida Benno Luiz Graebin, sentido Avenida Melvin Jones. O cabo da PM dirigia um carro pela Rua Francisco Oscar Mendes, sentido BR-364. No cruzamento das vias, o policial avançou a preferencial e colidiu transversalmente com a moto.
 Após o acidente, o policial dá a ré no carro e sai do local (assista ao lado). "As imagens são bem evidentes. Ele deixa o local do acidente por cerca de dois minutos. Ele dá a volta no quarteirão e para em uma posição em que seria a preferencial dele. Houve uma alteração na dinâmica do acidente", salienta o delegado regional, Fábio Campos.
Conforme o delegado, o inquérito foi prorrogado por causa da elaboração do laudo em local de acidente, mas está em fase de conclusão.
"Todos os laudos foram anexados, tanto o laudo tanatoscópico, feito no corpo da vítima, quanto o laudo em local de acidente. Eles foram decisivos para chegar à conclusão e comprovação da culpa por parte do condutor do carro. Ele invadiu a preferencial, onde há sinalização que era necessário parar. Ele não parou, avançou a preferencial e a vítima veio, colidiu e deu o resultado morte", ressalta.
Segundo a Polícia Civil, há indícios que o motorista estava embriagado no momento do acidente. O boletim de ocorrência narra que o policial apresentava um sinal de embriaguez alcoólica; ele estava com os olhos avermelhados. Contudo, recusou-se a fazer o teste do bafômetro.
Heleno foi levado para a Delegacia de Polícia Civil, passou por exame de constatação de embriaguez com um médico, e o resultado deu negativo.
"O acidente aconteceu às 20h10 e o condutor só foi apresentado na delegacia por volta das 23h. Até ser encaminhado ao exame clínico da embriaguez passou um tempo muito relevante. O exame clínico da embriaguez constatou que ele havia ingerido bebida alcoólica. Ele só não estava, naquele momento do exame, embriagado. No entanto, depois de três horas, é normal que não estivesse mesmo com a capacidade psicomotora alterada. No momento do acidente, ele tinha sinal de embriaguez, mas a perícia não constatou em razão dessa demora na apresentação dele na delegacia", enfatiza o delegado.
O policial deve ser indiciado, ainda esta semana, por homicídio culposo - quando não há a intenção de matar- e embriaguez na direção. O comandante do 3º Batalhão da Polícia Militar (BPM), coronel Rildo José Flores, explica que estava em férias quando aconteceu o acidente, mas que vai apurar o motivo da demora na apresentação do suspeito na delegacia.
O advogado Rodrigo Batista, que defende o militar, disse que não viu as imagens do acidente, mas reforçou que o cliente não quis mudar a cena do local, apenas que não teria, a princípio, percebido a gravidade do caso. Ele ainda destacou que Heleno não estava embriagado no momento da colisão. 
Enquanto o caso está sendo investigado, a família pede por justiça. O filho de Fernanda se chamaria Artur e o parto estava previsto para acontecer este mês. "É muito triste saber que minha filha morreu como um cachorro na rua, que não teve relevância. É muita saudade, muitas lembranças, é muita dor. É a maior do mundo, e não tem volta. Queremos que ele pague pelo que fez", enfatiza a mãe da gestante, Sandra Lioterio.

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